quinta-feira, 10 de setembro de 2009
As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer
A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera
A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Imagine....
Ao longe, vejo-te, ao longe. És apenas uma pessoa, uma de tantas, no meio de uma multidão. Não te distingues, em nada. O mesmo olhar superior, a mesma arrogância individual, o mesmo espírito, dominado pela sociedade, que mais não é, que um aglomerado de vermes, que se deixam apodrecer. Sim. Quem me conhece sabe como sou, quem não me conhece pensa que me acho melhor que todos. Pois é, infelizmente, também eu me deixei apodrecer, não provei ser diferente dos outros. Sempre me intitulei de diferente, assim como muitos. Sejamos sinceros connosco mesmo, tentemos, pelo menos uma vez, não será assim tão complicado. Eu sei que não é costume da nossa sociedade falar verdade, na verdade não é costume nosso fazer nada verdadeiro. Já fizeram um exercício muito simples? Proponho-vos o seguinte, entrem num centro comercial e sentem-se onde puderem, façam-no apenas por dez minutos, analisem uma pequeníssima amostra da nossa sociedade, analisem-nos. Repararam como passamos uns pelos outros olhamos mas não nos vemos, olhamos apenas por uma pequena fracção de segundos para poder dizer, “ai que gorda”, “que roupa pindérica”, “de certeza que é gay” ou fazer qualquer outro tipo de comentário depreciativo. É nesta sociedade que queremos viver? Numa sociedade em que passamos uns pelos outros e não nos ajudamos, pior, fazemos questão de passar por cima para ter certeza que o outro levará mais tempo a levantar-se. Não sou diferente, sou igual, mas penso nisto e tento educar-me, tento ser uma pessoa melhor, esperando poder contribuir para modificar o pensamento das pessoas que me rodeiam, e que essas possam fazer o mesmo com quem as rodeia, e assim, juntos, reciclamos a sociedade. Imaginem como seria, Imaginem…